terça-feira, 16 de agosto de 2016

Entrevista: Autor Raphael Miguel

Hoje vamos conferir a entrvista que o Estante fez com o autor de O Livro do Destino (resenha aqui), Raphael Miguel.





































— Nasci e fui criado na cidade remota de Botucatu, estado de São Paulo, a terra do Saci. Sim, sou um caipira do interior.

— Minha vida não é tão interessante assim ao ponto de ficar falando sobre ela. (RS) Bom, acho que tiquei todos os itens importantes na vida do homem médio. Plantei uma árvore, tive uma filha e escrevi um livro. (RS)
Na verdade, acho que tudo que há de relevante sobre mim estará respondido nas próximas questões. Leiam a entrevista até o final.

— Sou soldado reformado do Exército Brasileiro, formado em Direito, Pós Graduado em Direito Ambiental e especialista em Direito do Trabalho. Durante o dia, atuo como advogado, consultor jurídico e defensor público.

— Continuo morando em Botucatu (infelizmente?).
A coisa mais maravilhosa que me aconteceu foi ter me tornado pai da Júlia, a quem jurei defender. Minha princesa tem 4 anos e é mais esperta que eu (o que não é tão difícil).
Sou o (in)feliz dono de uma cachorra chamada Mel(issa), uma labradora filhote que destrói tudo que há pela frente. Conhece o Marley? A Mel faria o Marley passar por um cão adestrado. Em menos de um ano que está com a gente, a Melissa já destruiu meu carro, a parede de casa, centenas de roupas, sapatos e chinelos e acumula feitos inacreditáveis. (RS). Apesar de tudo, amo a miserável.


- Conte um pouco sobre " O Livro do Destino" à quem ainda não leu:

— O que falar sobre meu primeiro filho literário legítimo? 
Amo de paixão a trama de O LIVRO DO DESTINO e gosto muito dos argumentos utilizados, pois brotaram do meu íntimo. Há muito de mim no livro e há muito de mim no próprio protagonista, Eric Dias.
É muito difícil falar do livro como leitor e emanar uma opinião mais lúcida, menos apaixonada e sóbria, mas não posso enganar os leitores.
Aqueles que me concederem a honra em ler meu livro irão encontrar uma história que corre com simplicidade e ternura, com contornos misteriosos sem esbarrar em uma narrativa enfadonha. Apesar das muitas tramas e subtramas, O LIVRO DO DESTINO é uma leitura leve indicada para vários públicos.

- Como foi o processo de desenvolvimento da escrita deste, que é seu primeiro livro? Deve ter requerido pesquisas...

— Parece um pouco estranho dizer isso, mas tenho a espinha dorsal de O LIVRO DO DESTINO guardada desde a adolescência e alguns argumentos e personagens já existiam durante minhas brincadeiras infantis.
A ideia de colocar no papel surgiu de uma discussão comigo mesmo acerca da existência ou não do destino e das implicâncias em com ele brincar. Bastou desenvolver essa questão através de um rapaz jovem para ver O Livro ganhar vida.
Da primeira letra que digitei até a última, levei cerca de 3 meses. Foi rapidinho exatamente porque já tinha quase tudo em mente há tempos. O resultado final foi uma surpresa, das mais agradáveis.
Obviamente que após o último ponto final, parti para o trabalho de revisão. Pode contar mais um mês e meio nisso. Mesmo assim, foi um projeto bem rápido.

— Alguns assuntos, tramas e subtramas tratadas no livro necessitaram de algum tipo de trabalho de pesquisa, sim. Não havia como falar da teoria do multiverso, por exemplo, sem ter um estudo abalizando os argumentos. Já outros estavam prontos e necessitavam apenas de desenvolvimento para ganhar vida.
Apesar disso, não existem muitos termos técnicos no livro, deixando a leitura mais fluída. É uma obra escrita com o coração.

- Quais foram os motivos que o impulsionaram a tornar-se escritor?

— Bem, a decisão de se tornar escritor não foi premeditada. Digamos que, simplesmente, aconteceu. Sabe quando você sente que está fazendo o que realmente gosta? Foi bem isso. Desde quando era criança, gostava de roteirizar, criar histórias, enredos, personagens e mundos imaginários. Foi dessa vocação que a escrita se desenvolveu. Na adolescência, arrisquei algumas palavras e textos, mas nada muito sério ou que houvesse comprometimento. Acumulei certo material dessa época, mas acabei perdendo o momento certo e muito disso se perdeu com o tempo. Foi apenas depois da faculdade, com alguns anos de carreira, que comecei a investir mais nessa veia de escritor. A ideia surgiu de uma vontade que eu tinha de registrar no papel algumas histórias vividas apenas no meu imaginário. Estou vivenciando com muita empolgação cada momento no mundo literário.

- O que você considera fundamental para escrever? Alguma dificuldade?

— É necessário que o escritor tenha pleno conhecimento da história que está a escrever e saiba que a própria história possui ritmo particular e pede por certos acontecimentos. Em outras palavras, o escritor deve saber o tempo certo da história, não forçar seu argumento e desenvolvimento, deve respeitar aquilo que escreve para que os demais possam ter uma experiência honesta com o livro.
Sobre as dificuldades, estas são muitas. Penso em vários fantasmas que assombram a mente dos escritores diariamente, mas a maior dificuldade é a questão de saber dar os nós certos na trama. O enredo deve ser muito bem fechado e estruturado, deve haver coerência e honestidade. Essa é uma parte importante no processo de escrita e deve receber a devida atenção, por isso é tão difícil. Porém, não é aquele “difícil” chato, é até prazeroso. O difícil chato é revisar, isso com certeza. (RS) 


- Qual é a inspiração para a criação de seus personagens?

— De onde surgem meus personagens? Boa pergunta! (RS) Na boa, acho que eles sempre existiram na minha mente conturbada, mas aguardam o momento ideal até aflorarem em uma de minhas histórias. Talvez, um ou outro personagem seja inspirado em pessoas reais, mas na maioria esmagadora das vezes, eles simplesmente surgem e me pedem para inseri-los. Por exemplo, na trama de O LIVRO DO DESTINO, Nathaniel surgiu como uma grata surpresa. Não fazia ideia de que iria inseri-lo até notar que o enredo pedia por um personagem como ele. No fim, o Guardião se tornou indispensável. Sabe, às vezes tenho a impressão de que os personagens são reais. Quem sabe eles não habitam uma outra dimensão ou realidade? Loucura isso tudo, né?

- Já esceveu vários contos, não é mesmo? Foi, também, convidado para participar de muitas antologias?

— Bem, os contos surgiram como uma forma de dar os primeiros passos no meio literário.
Estava escrevendo A SAGA DE ESPLENDOR quando decidi escrever um conto dentro do mesmo universo. Assim surgiu O DOMADOR DE DRAGÕES, o qual foi publicado em maio/2015 na Antologia “Além das Cruzadas”. Desde então, não parei mais de produzir contos, uma forma de expandir a escrita e me desafiar em outros temas que fogem à minha “zona de conforto”.
De certa forma, os contos contribuíram para expandir meus limites, aumentar minhas percepções e variar o público, ganhei experiência. Tenho uma melhor ideia do que funciona e do que não funciona no mundo fictício e percebi que posso, se me esforçar, contar as mais variadas histórias.
Posso migrar do romance ao terror com algumas palavras, do épico ao trágico com uma simples modificação do ponto de vista. Posso escrever sobre o que bem entender, basta me esforçar para isso.
Até hoje, participei de várias antologias de contos e poemas, sendo as de contos:

1 – Além das Cruzadas;
2 – Modus Operandi;
3 – Ano 2500;
4 – Vícios, Taras e Medos;
5 – Letras do Brasil;
6 – Seleta de Contos de Autores Brasileiros;
7 – Fragmentos do Medo;
8 – Rainhas;
9 – E quem souber, que conte outra;
10 – ExpoLetras 2015 – Contos;
11 – Seres Amazônicos;
12 – Marcas Eternas;
13 – Justiça e Igualdade Social;
14 – Phantasia;
15 – Criaturas do Submundo;

E, ainda, venho sendo convidado para mais antologias. Teremos novidades em breve.

- Tem algum de seus personagens que você tenha um carinho maior?

— Falar em personagem favorito é meio que injusto. Todos são importantes de certa forma. É tão difícil escolher um personagem preferido que acabo sempre sendo evasivo com a resposta. Depende muito do momento em que estou vivendo também, mas costumo responder com uma espécie de ‘Top 4”.

- Príncipe Handre Helt (A Saga de Esplendor) – Handre é o típico príncipe de armadura e virtuoso e é isso que mais admiro nele. Em época de personagens cinzentos e sombrios, o herdeiro do trono do Reino de Agat é a figura do mocinho clássico. Além disso, obstinado, Handre pertence a uma organização que defende o Reino sob as costas de dragões, a Ordem dos Dragões. Corajoso, o Príncipe está sempre disposto a lutar em favor de Agat e para proteger a quem ama.

- Eric Dias (O Livro do Destino) – Eric começa a trama como um rapaz sem muitas ambições na vida e segue seu caminho de forma bastante despretensiosa até que recebe uma herança que o obriga a tomar várias atitudes. Dias não é corajoso no início e luta várias vezes com as possibilidades que lhe são oferecidas, mas suas atitudes são de uma pessoa genuinamente bondosa. No final de O Livro do Destino, Eric acaba tomando uma atitude inesperada e até mesmo drástica que muda radicalmente suas perspectivas. É essa coragem adormecida de Eric que me faz admirá-lo.

- Judah (conto O Sobrevivente, inserido em Planeta Brutal) – Judah (que não tem seu nome revelado durante o conto) é um ser moldado pelas condições em que vive, onde há escassez de água e transborda violência. Um anti-herói que faz coisas inimagináveis para sobreviver. O que mais gosto nesse personagem é sua vontade de viver e a ausência de culpa que sente nessas ocasiões.

- Eveline (Ácido & Doce) – a protagonista dessa história é uma girl power que tem uma determinação em mente: vingança. Eve sabe aonde quer chegar. Sua garra e perseverança são admiráveis, assim como sua determinação. Aquele tipo de garota que não tem medo de se impor e faz de tudo para alcançar seus objetivos. Você não iria querer ficar em seu caminho.
 

- Quais os escritores que lhe inspiram?

— Sempre que me perguntam isso, fico com medo de esquecer de alguém e cometer certa injustiça. Gosto desde clássicos até a modernidade e escrita contemporânea. Vou citar alguns autores que me ocorrem no momento: Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra) ; Victor Hugo (Os Miseráveis); William Shakespeare (Sonhos de uma noite de verão); J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis); George R.R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo); Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias); Luis de Camões (Os Lusíadas); Gil Vicente (O Alto da Barca do Inferno); George Orwell (1984); Aluísio Azevedo (O Cortiço); Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas); Jô Soares (Assassinato na Academia Brasileira de Letras); Creio que esses não são os únicos, mas os mais importantes.

- Há planos para obras futuras? 

— Se estivesse respondendo essa pergunta há algumas semanas, iria tentar fazer um suspense maior, mas agora já revelei o segredo. (RS).
Estou muito feliz e animado com o contrato que firmei com a Dalle Piagge Editora para a produção e lançamento de meu próximo livro, este chamado ÁCIDO & DOCE, um romance urbano contemporâneo repleto de reviravoltas ao som de rock and roll e pop music do início ao fim, personagens dúbios e cenas de tirar o fôlego com uma mistura de ação, drama e suspense. A previsão inicial é que ÁCIDO & DOCE saia no início de 2017, inaugurando com tudo o calendário de lançamentos da Dalle Piagge.
Por falar em Dalle Piagge, é bom que todos guardem esse nome, pois trata-se de uma editora jovem que está reunindo autores incríveis e corajosos do cenário atual da Literatura Brasileira, como Pablo Madeira, Fábio Abreu, Arley França e Cristiano Contreiras. Tenho certeza que 2017 será o ano da Dalle. Fiquem ligados.
Continuo a revisar o argumento da minha primeira história, A SAGA DE ESPLENDOR – A ANGÚSTIA DO CONSELHEIRO, escrevendo PLANETA BRUTAL e continuo a ser convidado de antologias de contos e poemas. Creio que muitas pedras irão rolar.

- Fico muito feliz em saber da novidade. Inclusive, quero parabenizá-lo e desejar-lhe muito sucesso. Agradeço pela atenção e confiança cedida ao Blog e gostaria que deixasse suas considerações finais:

— Gostaria de agradecer imensamente a oportunidade de estar participando desta entrevista e muito feliz com o interesse em meu trabalho. Tenham a certeza de que pretendo ter a relação mais íntima possível com meus leitores e fiquem sempre à vontade para me contatar. Um forte abraço a todos e lembrem-se: "nós é que traçamos o próprio destino." 
"See Ya"


O que você faria se recebesse um artefato capaz de alterar o destino de pessoas ao seu redor, interferir no futuro e destruir realidades? O que faria se um instrumento de tamanho poder caísse em suas mãos? Praticaria o bem ou mal? Utilizaria para sanar as desgraças do Mundo ou para alcançar objetivos egoístas? Tentaria salvar àqueles ao seu lado, ou salvaria apenas a si mesmo?
Eric Dias é um rapaz de recém feitos dezessete anos. Pacato, vive uma vida tranquila, sem grandes preocupações. No entanto, um presente inusitado pode alterar para sempre seu destino e de todos ao seu redor. O que o rapaz fará com tal responsabilidade sobre seus jovens ombros?


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