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4 de julho de 2016

Resenha: O Paradoxo Que Foi Tê-la – Caio Gustavo

4 de julho de 2016
Título: O paradoxo Que Foi Tê-la
Autor: Caio Gustavo
Páginas: 80
Edição: 1ª
Editora: Publicação Independente
Ano: 2016
Gênero: Contos/Poesias

Sinopse: Breves poesias e contos sobre um momento é uma obra de 26 textos. O livro é dividido em duas partes que representam dois momentos diferentes no mesmo período. São eles “o início da contradição”, que apresenta 11 textos em versos livres e um conto e “a vida com rima” com 13 poesias e também com outro conto ao final. O livro é um apanhado de textos do período em que o autor viveu a universidade e com ela lidou com, pessoas, vivências, teorias e decepções. Por isso, muitos dos textos são homenagens a lugares e a essas experiências, além de dedicações as pessoas que passaram por esse momento. Este é o primeiro livro completo do autor.



O paradoxo Que Foi Tê-la, do autor Caio Gustavo, é um livreto, publicado de forma independente, com breves poesias e contos divididos em 26 textos.
A obra, mesmo sendo curta, ainda é dividida em duas partes.
Nestes textos, o autor relata de forma poética como foi a experiência no período de sua vida em que ele passou pela universidade, sua convivência com amigos e outras pessoas, sua vivência em alguns lugares e sobre o amor.

A leitura é leve. A narrativa fácil de compreender. Se você, assim como eu, gosta de poesias, vai apreciar muito esta leitura.

A primeira parte, intitulada O Início da Contradição, nos apresenta a paixão avassaladora que toma conta do ser. 

"A certeza que nunca terei... O tempo está passando."

O sentimento do amor é retratado de uma forma intensa. E confesso-lhes, que foi desta parte que mais gostei.



"Preciso da ilusão de que uma parte do seu corpo me pertence."



Alguns foram os melhores poemas que já li até hoje. Justamente pelo fato do autor relatar seus sentimentos neles de uma forma profunda.



"Derreto o vermelho em minha boca."

Gostei da melancolia com a qual o autor escreveu esta primeira parte do livro, que foi a que mais me encantou.

"Chame desesperadamente meu nome. 
Respire profundamente meu corpo."

Ela é finalizada com contos sobre um "ser" que intriga a personagem Angelina.


"Angelina desliga o fogo e parte com curiosidade para o buraco, o lamento parecia aumentar, e quanto maior o som discorria, mais a garota se aproximava, até que como um golpe de katana, desperta do buraco um olho."

Na segunda parte, intitulada A Vida Com Rima, nos trás acontecimentos e pessoas que marcaram o cotidiano do autor na época da universidade. Inclusive, uma bela homenagem aos professores, estes mestres eternos, se faz presente no poema A Nossa Professora Branquinha.

Uma parte do livro, um tanto mais divertida e, de fato, menos melancólica.

Um dos poemas que mais me agradaram, nesta segunda parte do livro foi o poema Gato Branco e Cinza. Porque será, né? (risos)

"Onde está o gato branco e cinza? 
Escondido lá em cima. 
Basta balançar a ração, 
Para ele correr sem menção."

Deleitei-me com o conto que finaliza esta obra. Porém seu final me deixou perplexa.

 "Ao som de 'Lou Reed, Perfect Day', dois corpos faziam amor."

"Era o resumo da sua vida, encontros rápidos e intensos."

 "mas a sensualidade que ela transmitia, era algo inexplicável para July."

Este livreto, por mais curto que seja, deve ser lido de forma serena. Pois poesias foram feitas para serem apreciadas. Sentidas.

"Enquanto uns nascem, outros renascem e os que não suportam, permanecem ou se destroem."








Vamos saber um pouquinho mais sobre o autor, agora?

Caio Gustavo David Ribeiro – Caio Gustavo

Nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1991, residindo até o hoje (2016) na capital cearense. Formado em Psicologia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), tendo entrado em 2011. Fez parte do Núcleo de Psicologia Social e do Trabalho (NUSOL) dessa mesma universidade. Ajudou a restabelecer o Centro Acadêmico de Psicologia, participando como secretário de comunicação e mantendo o blog. Gosta de escrever apenas por hobby, textos curtos, mas que tenham alguma intensidade. Escreveu em alguns blogs durante um curto período da adolescência.


Obras:

O Mágico está na Cidade (2016)

O Trem de Carolina (2016

O Dragão da neblina (2016)

O Paradoxo que foi Tê-la: breves poesias e contos sobre um momento (2016)

O Cinema Revolucionário de Sergei Eisenstein: Diálogos e Encontros sobre Psicologia da Arte na Perspectiva de Vigotski (trabalho de conclusão de curso, 2016)


















22 de junho de 2016

Resenha: Fome - Lilian Farias

22 de junho de 2016
Título: Fome
Autor: Lilan Farias
Páginas: 21
Edição: 1ª
Editora: Amazon
Ano: 2016
Gênero: Terror Erótico

Sinopse: Desejo. Sexo. Sangue. Horror. Fome é a descrição de instintos viscerais, a face humana jogada na sombra. Uma mostra de Terror-erótico que seduz, entorpece, choca e te faz degustar cada palavra até o fim. Três contos de arrepiar!



"Ela tinha sorriso de Mulher-Lama-Sangue e sabia que não dava mais para esconder seus instintos."


Com um título insinuante e capa bem atrativa, este livreto da autora parceira do Blog, Lilian Farias trás três contos de terror erótico que vão deixar o leitor um tanto abalado pela intensidade de seu conteúdo.

Personagens característicos e desejo voraz dão vida a uma narrativa explícita nas vinte e uma páginas que mesclam o horror, a luxúria e o surreal dando uma sensação anormal a cada parágrafo lido. 


O primeiro conto foi fluindo bem até a hora em que tive um baque! A sensação ao concluí-lo foi indescritível. Uma mistura de espanto com bizarria. Ou seja, foi espantoso e bizarro ao mesmo tempo.

Quanto aos dois próximos, com a mente já preparada, continuei a leitura agradavelmente. Até achei algumas partes cômicas, mas impactantes.

A escrita da autora é única, quem conhece suas obras pode compreender melhor. A leitura flui bem, mas se você for um leitor sensível demais pode ficar um tanto impressionado. 
Fome difere-se das leituras que estamos habituados a ler. 
Porém, se assim como eu, não tiver problemas com isso, delicie-se e bom apetite!

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11 de junho de 2016

Resenha: Ardósia - Nicolás Irurzun

11 de junho de 2016
Título: Ardósia
Autor: Nicolás Irurzun
Páginas: 250
Edição: 1ª
Editora: Multifoco
Ano: 2015
Gênero: Contos/Humor


Sinopse: Um de seus habitantes desprezara a bênção de Santa Edwiges. Viroses, dores de corno, joanetes, todo tipo de tragédia cairia sobre as cabeças nativas. A maioria ignora que tais cartas contêm erros grosseiros de ortografia. Gramática inexistente. A população se divide entre brincadeira de mau gosto ou maldição. Na dúvida, o Prefeito marcou a assembleia. Pulso nem sempre agrada o eleitorado. O Delegado, pra lá de exagerado, procura evitar atentados terroristas.


"O tempo está feio. Nublado. Não ameaça chover, tampouco o sol dá qualquer pista de quando poderia brilhar. Assim é também a população da cidade: medíocre, no sentido mais puro, ou seja, mediana. Por mais que se busque, não será encontrado nenhum gênio; e o mais desbravador dos conquistadores penará para tomar uma alma realmente má."

Ardósia é uma típica cidade interiorana, com uma população pequena, de nomes peculiares e figuras curiosas: aquele velho eremita que vive naquele casarão antigo; aquela moça promíscua; aquele rapaz estabanado, pra quem tudo da errado; aquela mulher carrancuda, dona do estabelecimento comercial da esquina que fica aberto até nos nos feriados cristãos, quando as famílias saem juntas, e dependendo da comemoração, levam suas máquinas fotográficas e aparelhos de telefone celular para fazerem os registros...



"os ardosienses aproveitam para rever velhos amigos, cobrar dívidas esquecidas e paquerar em olhares furtivos. Jesuíno coloca o papo em dia com fregueses/colegas, enquanto as crianças se enroscam no meio da multidão."

Enfim, Ardósia fica "láaaa..." no fim do mundo. Inacessível. Não há como chegar em Ardósia. Que mistério é esse? Pois é, meus caros. Esta é Ardósia.

O enredo é edificado através de contos hilários, onde conhecemos cada personagem que institui aquele povo de pensamentos e costumes, digamos, arcaicos.

Conhecemos, dentre as personalidades de Ardósia, aquele grupo de amigos inseparáveis, que vai se meter em muita confusão e nos divertir à beça.
Somos apresentados, ainda, ao impertinente casal de crianças, filhos daquela que é dona do boteco. E o que eles vão aprontar, ainda vai dar o que falar!
E é claro que não podemos esquecer do velho ermitão, aquele que esconde os mais tenebrosos segredos.
Quanto às pessoas de fora? Bem, não há muitos turistas por ali, já que é praticamente impossível chegar até Ardósia, a não ser pelos forasteiros perdidos que erraram uma entrada na estrada e nem sequer sabem como foram parar ali naquele lugar onde nada acontece.

Porém, o sossego do lugar é quebrado quando um fato inesperado e misterioso acontece, e todos ficam de sobrancelhas arcadas.
Alguma coisa muito séria aconteceu e mexeu com a população, mas será fácil encontrar o responsável por tudo, não será? Afinal, quem mais poderia fazer algo daquele porte se não o morador daquela rua, daquela antigo e misterioso casarão, para quem os dedos sempre apontam. "El viejo ermitaño."
Ri litros com este personagem fundamental da estória, talvez pela semelhança com meu pai, o qual me surpreendeu no final e, confesso, me arrancou risos e uma lágrima ao mesmo tempo.

Mas adorei o desfeche da estória. 
Então, caro leitor, o que tenho a dizer a você é: Pegue uma carona numa brasília velha e venha conhecer Ardósia! Se você achá-la.












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