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20 de abril de 2017

Entrevista: Autor Lucas Hargreaves - Segredos do Reino

20 de abril de 2017
Hoje, vamos conhecer um pouco mais o jovem autor de Segredos do Reino
Lucas Hargreaves.


Desde cedo, escrever e criar sempre foram os verbos e hobbies preferidos de  Lucas Hargreaves. Nascido em Brasília no ano de 1991, o autor foi criado e reside em Belo Horizonte. 
Formou-se em Publicidade e Propaganda pela universidade PUC-MG, e possui experiência em Marketing, Mídias Sociais e Design Gráfico, segmentos da área que contribuem para expandir seu potencial criativo, não somente em sua trajetória profissional, como também em projetos pessoais. 
Para o autor de "Segredos do Reino", a leitura e a escrita se completam como inesgotáveis fontes de conhecimento, diversão e fantasia.

- Quais foram os fatores que lhe motivaram a tornar-se um escritor?

— Desenvolvi, desde cedo, uma afinidade muito grande com a criação, o que contemplou inicialmente o desenho e, posteriormente, a escrita. Ainda criança, já gostava de compor enredos e elaborar narrativas. Para isso, dobrava ao meio algumas folhas A4 e as grampeava, já consolidando a estrutura do "livro". A partir daí, desenhava e descrevia as situações, seguindo um raciocínio - mais ou menos - linear, preenchendo os espaços em branco usando apenas o lápis. Com o tempo, a habilidade foi aumentando, assim como a vontade de dar vida a uma trama mais complexa. Após alguns projetos, Segredos do Reino finalmente saiu do word para o papel. A maior motivação, com certeza, é a de poder divulgar sua criação com o mundo. Isso é bastante animador!

- Suas maiores influencias literárias são:

— Penso que sempre aprendemos com cada livro lido, independente do autor, o que acaba nos dando a liberdade de usufruir de alguns elementos ali descritos. No meu caso, ressalto grandes influências vindas principalmente de Agatha Christie, mesmo que o gênero não corresponda a Segredos do Reino. Sempre achei a trajetória e obras da autora inspiradoras, o que me motivou a escrever ainda mais.


- Encontrou alguma grande dificuldade na hora de desenvolver o enredo de "Segredos do Reino"? Há algo que considere de maior necessidade na hora de desenvolver uma obra?

— Acredito que um enredo consistente, somado à boa construção de personagens, e uma pitada de plot twists garante a longevidade da história, e isso exige dedicação. Para mim, a maior dificuldade é o foco, ou a falta dele, rs. Fechar as arestas abertas durante o processo narrativo também costuma exigir um pouco mais de atenção por parte do autor.

- Para todo escritor, o desenvolvimento da primeira obra é uma experiência incrível. Como foi isso pra você? Já tinha algo em mente? 

— Particularmente, penso que a construção de uma narrativa é composta de 50% planejamento e 50% improviso. Foi o que aconteceu com Segredos do Reino. A princípio, já tinha uma noção da proporção da história e dos pontos onde queria chegar, contudo, pelo caminho, muita coisa pode acontecer. Por vezes, você acaba redefinindo algumas situações e até mesmo acrescentando novos personagens à trama. De qualquer forma, foi muito gratificante e divertido o processo da escrita de Segredos do Reino. Procurei prezar por um enredo mais simples, embora não menos envolvente, repleto de aventura e reviravoltas.
— Na verdade, dei início à história enquanto ainda estava na faculdade, mais precisamente no período de férias, no ano de 2012. Durante alguns dias consegui desenvolver aproximadamente vinte páginas. Como o início é sempre a etapa em que o índice de desistência é maior, acabei deixando pra lá, mesmo porque minhas aulas já haviam voltado. Em dezembro (novamente em recesso), retomei, e quando dei por mim já havia escrito mais sessenta páginas. Daí, pensei comigo: é hora de terminar, correto? E foi o que fiz, em junho de 2013, exatamente um ano depois de iniciar a história. Realizei pesquisas aleatórias no decorrer da escrita, como nomes de objetos de época para ajudar a compor a narrativa (como alaúde, por exemplo), ou alguns hábitos da nobreza, rs...

- Conte-nos um pouco mais sobre as incríveis aventuras que encontraremos nas páginas de Segredos do Reino:

— Segredos do Reino é um livro que conta história do rei Clausius, um perverso monarca que se vê ameaçado diante da iminente ameaça de ser desmascarado perante o reino pela sobrinha e por um azarado comerciante, que descobrem, da pior forma, a real conduta do déspota. Certamente que o embate tomará proporções catastróficas, envolvendo mais pessoas do que o esperado. De um lado, a minoria, contra o rei, de outro, o mal em sua mais poderosa forma. Mas, ao que parece, a guerra está apenas começando, e você, como leitor, acompanhará com riqueza de detalhes as surpresas do enredo, além de desvendar, pouco a pouco, as artimanhas de Clausius que, até então, eram "segredos do reino". 
Vale lembrar que o livro é o primeiro da saga. Afinal de contas, não se pode destronar um rei em apenas um único volume, certo?

- Alguns autores tem seus personagens preferidos nas próprias obras, ou até mesmo uma grande inspiração ao criá-los. Com você acontece da mesma forma?

— De modo geral, gosto de todos deles. Entretanto, o favoritismo também pode abranger alguns em específico, rs...
O meu personagem preferido é o rei Clausius, simplesmente pelo fato de a narrativa ter sido construída ao redor do monarca. Sim, o vilão foi concebido antes da história, e não o contrário. No geral, é uma personalidade complexa e emblemática na qual me divirto bastante em trabalhar. Para mim, ele significa uma criação bem maquiavélica, rs...
— Na verdade, todos carregam um pouco características da minha própria personalidade, e também a de outros personagens que já trombei por aí. Um ou outro possui predicados de pessoas conhecidas, mas não revelarei quais pois me divirto deixando as pessoas curiosas, rs...

- Pode nos adiantar quando seremos presenteados com o segundo volume de "Segredos do Reino"?

Ainda não possuo uma estimativa precisa, mas, no que depender de mim, será o mais breve possível. E tenho dito!


- Há planos de outras obras, futuramente?

— Atualmente trabalho na continuação de Segredos do Reino, que já está quase sendo concluída, inclusive. Mas, é claro, se obtivesse mais tempo, já estaria escrevendo mais histórias paralelas. Cabeça de escritor é isso mesmo, rs...

- Considerações finais:
— Gostaria de agradecer à Lullys pela entrevista e aproveito o espaço para convidar os leitores a conhecerem e desvendarem os Segredos do Reino (inclusive, já temos resenha no blog). 

Resenha Segredos do Reino

Quero, aqui, agradecer ao autor pela confiança em meu trabalho e salientar que está sendo um prazer trabalhar com uma importante personalidade da literatura nacional como Lucas Hargreaves
Agradeço pela grande parceria, e desejo que perdure por muitos anos ainda, afinal, tenho certeza que haverão muitas obras pela frente.

Saiba mais sobre o autor e "os segredos do reino" no site: Segredos do Reino
E leve o rei Clausius para casa, adquirindo o seu exemplar através do link abaixo:


Segredos do Reino

O que uma princesa, um comerciante sem sorte, uma pintora excêntrica, o líder de uma quadrilha, um monge amnésico e um homem depressivo com apenas dez centímetros de altura têm em comum? Bem, por ora, apenas um único objetivo: desmascarar o perverso rei Clausius perante a população do reino, destronando-o de uma vez por todas. Conseguirão eles lidar com todos os obstáculos que atravessam seu caminho, incluindo o próprio exército real? Acompanhe as aventuras (ou desventuras?) de Clarissa e Miguel, e embarque em uma narrativa ágil e surpreendente, repleta de conflitos, suspense e reviravoltas que o farão repensar se tudo é mesmo o que parece ser. Desbrave os territórios mais longínquos de Merquillian e desvende as conspirações e artimanhas de Clausius, que, até então, eram segredos do reino.





15 de setembro de 2016

Entrevista: Autor Daniel José de Carvalho

15 de setembro de 2016
Hoje, quem nos conta um pouco mais sobre sua carreira e seus livros é o autor do livro O Fracês (resenha aqui). O brilhante Daniel José de Carvalho.

Daniel nasceu no dia 13 de Novembro do ano de 1937, no bairro de Santana, na cidade de  São Paulo. Atualmente, vive em Piracicaba. São Pulo.
Pai de quatro filhos e avô de oito netos, também tem dois bisnetos. Já viajou o mundo e conheceu milhares de pessoas, as quais lhe deram inspiração para a construção da maioria dos personagens de seus romances, como o próprio autor nos conta abaixo. Então, vamos conhece-lo melhor!



Sou Administrador de Empresas aposentado. Fui casado durante 52 anos, até que minha esposa, Neusa, faleceu há quatro anos.
­Viajei muitas vezes a trabalho, permanecendo longas temporadas em diversos países da Europa, Ásia, África, América do Norte, América Central, América do Sul e também pelo Brasil. Essas viagens me deram a oportunidade de conviver com muitas famílias e pessoas de outras culturas, enriquecendo meu conhecimento da natureza humana o que muito me ajuda na composição dos personagens de meus romances.

Então seus personagens são inspirados nas pessoas que conheceu em suas viagens?

— Os meus personagens afloram de três fontes de meu subconsciente:
— Das lembranças de minha infância;
— De personagens que me sugestionaram nos romances, nas histórias em quadrinhos, no cinema e e nas novelas de Tv;
— Do fascínio pelas biografias de pessoas que venceram na vida superando grandes dificuldades.

Como é a preparação para a escrita dos seus livros?

Começo com esboços feitos à mão livre em forma de balões (como aqueles das falas de personagens de Histórias em Quadrinhos). Em cada balão descrevo uma situação imaginada. — — Depois, por meio de setas, interligo os balões definindo o que acontece antes e o que acontece depois. Posteriormente, vou desenvolvendo as cenas, os personagens, os cenários e subdividindo tudo em capítulos a partir dos balões originais.
Terminado o texto, faço uma revisão para eliminar eventuais incoerências e corrigir erros gramaticais.

Um de seus romances que tive a oportunidade de ler foi “O Francês”. À propósito uma história fascinante!
Gostaria que falasse um pouco mais sobre esta obra e sobre como foi o processo de desenvolvimento da história.

Este romance conta uma incrível história de amor entre um francês e uma descendente de indígenas tupi-guarani. Esse grande amor é brutalmente interrompido para ressurgir com todas as forças depois de 272 anos.
Uma parte desse caso de amor se passa no município de Carvalhos, no Estado de Minas Gerais, no ano de 2013. A outra parte se passa no Arraial dos Franceses, na Capitania de Minas Gerais, no século XVIII.
Yara e Adrien, Jean e Karina, os protagonistas dessa história, passam por situações inacreditáveis, tanto na atual Carvalhos de 2013, como no Arraial dos Franceses da época do Brasil Colonial.
O “Mon Journal”, um estranho diário, desaparece misteriosamente no ano de 1741, no Arraial dos Franceses, para ser encontrado apenas no ano de 2013 em Carvalhos. Tal diário é o elo que esclarece a relação entre os dois casais de épocas tão distantes e tão diferentes.

Em 2012, eu fui conhecer Carvalhos-MG a convite de uma família que é daquela cidade. Fiquei lá por uma semana e conheci diversas regiões pitorescas, entre elas o Distrito dos Franceses, que foi uma região de garimpo de ouro, onde predominavam os franceses, daí o nome “Arraial dos Franceses”. Um amigo me sugeriu que escrevesse um romance que se passasse em Carvalhos. Eu gostei da ideia e, ao voltar a Piracicaba, comecei a dar forma à história.
Depois de um ano voltei à cidade para fazer pesquisas e desenvolver a história.

 Conte-nos, como foi que se tornou escritor?

Quando criança, meus pais me presenteavam constantemente com livros de histórias. No início, eles liam para mim em voz alta. Até que a vontade de conhecer mais histórias tornou-se tão grande que eu não tinha mais paciência de esperar por eles e comecei a ler livros e Histórias em Quadrinhos, sem ajuda de ninguém. Na adolescência, comecei a ler romances de aventuras. As ilustrações coloridas já não faziam tanta falta.
O desejo de escrever histórias foi surgindo aos poucos em minha vida. Entretanto, a vida sempre agitada não me permitia dar vazão a esse desejo. Durante uma madrugada de 2006, com a vida já menos agitada, eu senti um impulso vindo de meu interior. Pus-me, então, a imaginar uma história. Pela manhã, tratei de desenvolver a sinopse do meu primeiro romance, o “ACONTECEU NO SÉCULO VINTE”. Ao escrevê-lo, descobri um mundo novo de prazer e satisfação.

Quais os fatores que você considera necessários para escrever?

­Gostar de histórias em geral, seja nos livros, no cinema, no teatro, nas novelas de TV, ou nas Histórias em Quadrinhos. Gostar de redação e ter bom conhecimento de gramática e literatura.

Qual é a maior dificuldade na hora de escrever?

Para criar um personagem, o romancista precisa vivenciá-lo. Precisa pensar como se fosse ele. Ou seja, para descrever uma criança é preciso sentir-se como uma criança, para descrever um facínora é preciso sentir-se como ele. Nessa linha, o mais difícil para mim é dar vida a personagens femininos.

Há algum de seus personagens com o qual sinta mais afinidade?

Lucius, um personagem coadjuvante do romance Vila Citrus. É um personagem misterioso do tipo que eu gosto de criar.

—  Influencias literárias?

Li diversas obras dos autores abaixo, mas estou indicando a obra de cada um deles, que mais me impressionou:
  • Edgard Rice Burroughs                                Tarzan - Obra completa
  • Alexandre Dumas (pai)                                 O Conde de Monte Cristo
  • Charles Dickens                                            As Aventuras do Senhor Pickwick
  • Franz Kafka                                                  A Metamorfose
  • Sidney Sheldon                                             O Outro Lado de Mim (auto biografia)
  • Machado de Assis                                         Contos Fluminenses
  • Mark Twain                                                   As aventuras de Tom Sawyer
  • Monteiro Lobato                                           Caçadas de Pedrinho
  • Júlio Verne                                                    Viagem ao Redor da Lua

— Neste espaço, sinta-se à vontade para falar sobre suas obras e convidar os leitores a conhecê-las.

2007 - ACONTECEU NO SÉCULO VINTE (Editora Baraúna)
São três histórias que se desenrolam no Brasil em diferentes épocas do Século Vinte. Aos poucos, o leitor percebe as fortes relações entre as três histórias, até um final surpreendente e emocionante.
2008 - DUAS VIDAS (Editora Baraúna)
Dois seres de outra dimensão recebem a tarefa de destrocar as essências de dois habitantes da Terra. Para isso, eles assumem corpos humanos e fazem contato com os dois terráqueos.
2009 - VILA CITRUS (Editora Baraúna)
Um feiticeiro, uma seita satânica e um grupo de desordeiros infernizam Vila Citrus. É uma história intrigante que leva o leitor a sentir-se envolvido pelos mistérios de um pequeno município dedicado à citricultura.
2010 - OS PRECONCEITUOSOS (Editora Baraúna)
Um romancista entra em contato com seus próprios personagens criando situações inusitadas. Dois casais apaixonados precisam lutar contra seus preconceitos para ficarem juntos.
2011 - VIKING (Editora Baraúna)
Habitantes de um planeta distante entram em contato com os predecessores dos vikings, no ano 200AC. O romance leva o leitor a pensar nos grandes problemas da humanidade.
2012 - O DESPERTAR DE UMA CIDADE (Editora Baraúna)
É a história de um grande amor iniciado em 1895, entre um jovem paulistano e uma jovem inglesa que vem a São Paulo com sua família, pois seu pai seria o engenheiro responsável pelas obras da Nova Estação da Luz.
2012 - SOMBRAS NA PAREDE (Editora Baraúna)
Em 1897, na antiga Hollywood, um fotógrafo adquire o equipamento de cinema que acabara de ser inventado pelos irmãos Lumière. Ao conhecer uma trupe de artistas de circo, ele decide filmar com eles a peça “Jack e o Pé de Feijão”.
2013 - JAMBALAYA (Editora Baraúna)
Um tradutor inglês-português se apaixona pela letra da música Jambalaya e vai à Luisiana para vivenciar os impulsos que levaram o compositor à criação dessa obra.
2015- O FRANCÊS (Editora Pandorga))
Um diário escrito no século XVIII descreve um grande amor entre um francês e uma índia. Esse amor só terá um desfecho quando o diário cai nas mãos de outro casal no ano de 2013.
2016 - TIM ATLAS NA MONTANHA DAS HARPIAS (Editora Coerência)
Tim Atlas embrenha-se nas selvas de Rondônia para resgatar três jovens de um cativeiro na cidade de Huaka, no topo da Montanha das Harpias.

—  Soube que há novidades saindo do forno... (risos) Pode nos adiantar algo à respeito?

Depois de ter lançado TIM ATLAS E A MONTANHA DAS HARPIAS, na Bienal de São Paulo de 2016, estou escrevendo duas novas obras: ASSIM ESCREVO MEUS ROMANCES e TIM ATLAS E O RASTRO DO GIGANTE.
  
— Foi um prazer tê-lo como entrevistado aqui no Estante. Gostaria que deixasse suas considerações finais.

Agradeço à Luana por ter me dado esta oportunidade.
Quero dizer aos seguidores da ESTANTE DA LULLYS, que, para mim, escrever ficção é, antes de tudo, um grande prazer pessoal. Depois de terminar um livro, minha segunda satisfação e saber que alguém o leu. Gosto de conhecer a opinião das pessoas sobre o que escrevi, mesmo quando essas opiniões não são favoráveis, pois elas são úteis para que eu possa melhorar meus próximos trabalhos.
Portanto, se vocês vierem a ler meus livros, não deixem de comentá-los através dos links

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Abraços a todos!







16 de agosto de 2016

Entrevista: Autor Raphael Miguel

16 de agosto de 2016
Hoje vamos conferir a entrvista que o Estante fez com o autor de O Livro do Destino (resenha aqui), Raphael Miguel.






































— Nasci e fui criado na cidade remota de Botucatu, estado de São Paulo, a terra do Saci. Sim, sou um caipira do interior.

— Minha vida não é tão interessante assim ao ponto de ficar falando sobre ela. (RS) Bom, acho que tiquei todos os itens importantes na vida do homem médio. Plantei uma árvore, tive uma filha e escrevi um livro. (RS)
Na verdade, acho que tudo que há de relevante sobre mim estará respondido nas próximas questões. Leiam a entrevista até o final.

— Sou soldado reformado do Exército Brasileiro, formado em Direito, Pós Graduado em Direito Ambiental e especialista em Direito do Trabalho. Durante o dia, atuo como advogado, consultor jurídico e defensor público.

— Continuo morando em Botucatu (infelizmente?).
A coisa mais maravilhosa que me aconteceu foi ter me tornado pai da Júlia, a quem jurei defender. Minha princesa tem 4 anos e é mais esperta que eu (o que não é tão difícil).
Sou o (in)feliz dono de uma cachorra chamada Mel(issa), uma labradora filhote que destrói tudo que há pela frente. Conhece o Marley? A Mel faria o Marley passar por um cão adestrado. Em menos de um ano que está com a gente, a Melissa já destruiu meu carro, a parede de casa, centenas de roupas, sapatos e chinelos e acumula feitos inacreditáveis. (RS). Apesar de tudo, amo a miserável.


- Conte um pouco sobre " O Livro do Destino" à quem ainda não leu:

— O que falar sobre meu primeiro filho literário legítimo? 
Amo de paixão a trama de O LIVRO DO DESTINO e gosto muito dos argumentos utilizados, pois brotaram do meu íntimo. Há muito de mim no livro e há muito de mim no próprio protagonista, Eric Dias.
É muito difícil falar do livro como leitor e emanar uma opinião mais lúcida, menos apaixonada e sóbria, mas não posso enganar os leitores.
Aqueles que me concederem a honra em ler meu livro irão encontrar uma história que corre com simplicidade e ternura, com contornos misteriosos sem esbarrar em uma narrativa enfadonha. Apesar das muitas tramas e subtramas, O LIVRO DO DESTINO é uma leitura leve indicada para vários públicos.

- Como foi o processo de desenvolvimento da escrita deste, que é seu primeiro livro? Deve ter requerido pesquisas...

— Parece um pouco estranho dizer isso, mas tenho a espinha dorsal de O LIVRO DO DESTINO guardada desde a adolescência e alguns argumentos e personagens já existiam durante minhas brincadeiras infantis.
A ideia de colocar no papel surgiu de uma discussão comigo mesmo acerca da existência ou não do destino e das implicâncias em com ele brincar. Bastou desenvolver essa questão através de um rapaz jovem para ver O Livro ganhar vida.
Da primeira letra que digitei até a última, levei cerca de 3 meses. Foi rapidinho exatamente porque já tinha quase tudo em mente há tempos. O resultado final foi uma surpresa, das mais agradáveis.
Obviamente que após o último ponto final, parti para o trabalho de revisão. Pode contar mais um mês e meio nisso. Mesmo assim, foi um projeto bem rápido.
— Alguns assuntos, tramas e subtramas tratadas no livro necessitaram de algum tipo de trabalho de pesquisa, sim. Não havia como falar da teoria do multiverso, por exemplo, sem ter um estudo abalizando os argumentos. Já outros estavam prontos e necessitavam apenas de desenvolvimento para ganhar vida.
Apesar disso, não existem muitos termos técnicos no livro, deixando a leitura mais fluída. É uma obra escrita com o coração.

- Quais foram os motivos que o impulsionaram a tornar-se escritor?

— Bem, a decisão de se tornar escritor não foi premeditada. Digamos que, simplesmente, aconteceu. Sabe quando você sente que está fazendo o que realmente gosta? Foi bem isso. Desde quando era criança, gostava de roteirizar, criar histórias, enredos, personagens e mundos imaginários. Foi dessa vocação que a escrita se desenvolveu. Na adolescência, arrisquei algumas palavras e textos, mas nada muito sério ou que houvesse comprometimento. Acumulei certo material dessa época, mas acabei perdendo o momento certo e muito disso se perdeu com o tempo. Foi apenas depois da faculdade, com alguns anos de carreira, que comecei a investir mais nessa veia de escritor. A ideia surgiu de uma vontade que eu tinha de registrar no papel algumas histórias vividas apenas no meu imaginário. Estou vivenciando com muita empolgação cada momento no mundo literário.

- O que você considera fundamental para escrever? Alguma dificuldade?

— É necessário que o escritor tenha pleno conhecimento da história que está a escrever e saiba que a própria história possui ritmo particular e pede por certos acontecimentos. Em outras palavras, o escritor deve saber o tempo certo da história, não forçar seu argumento e desenvolvimento, deve respeitar aquilo que escreve para que os demais possam ter uma experiência honesta com o livro.
Sobre as dificuldades, estas são muitas. Penso em vários fantasmas que assombram a mente dos escritores diariamente, mas a maior dificuldade é a questão de saber dar os nós certos na trama. O enredo deve ser muito bem fechado e estruturado, deve haver coerência e honestidade. Essa é uma parte importante no processo de escrita e deve receber a devida atenção, por isso é tão difícil. Porém, não é aquele “difícil” chato, é até prazeroso. O difícil chato é revisar, isso com certeza. (RS) 


- Qual é a inspiração para a criação de seus personagens?

— De onde surgem meus personagens? Boa pergunta! (RS) Na boa, acho que eles sempre existiram na minha mente conturbada, mas aguardam o momento ideal até aflorarem em uma de minhas histórias. Talvez, um ou outro personagem seja inspirado em pessoas reais, mas na maioria esmagadora das vezes, eles simplesmente surgem e me pedem para inseri-los. Por exemplo, na trama de O LIVRO DO DESTINO, Nathaniel surgiu como uma grata surpresa. Não fazia ideia de que iria inseri-lo até notar que o enredo pedia por um personagem como ele. No fim, o Guardião se tornou indispensável. Sabe, às vezes tenho a impressão de que os personagens são reais. Quem sabe eles não habitam uma outra dimensão ou realidade? Loucura isso tudo, né?

- Já esceveu vários contos, não é mesmo? Foi, também, convidado para participar de muitas antologias?

— Bem, os contos surgiram como uma forma de dar os primeiros passos no meio literário.
Estava escrevendo A SAGA DE ESPLENDOR quando decidi escrever um conto dentro do mesmo universo. Assim surgiu O DOMADOR DE DRAGÕES, o qual foi publicado em maio/2015 na Antologia “Além das Cruzadas”. Desde então, não parei mais de produzir contos, uma forma de expandir a escrita e me desafiar em outros temas que fogem à minha “zona de conforto”.
De certa forma, os contos contribuíram para expandir meus limites, aumentar minhas percepções e variar o público, ganhei experiência. Tenho uma melhor ideia do que funciona e do que não funciona no mundo fictício e percebi que posso, se me esforçar, contar as mais variadas histórias.
Posso migrar do romance ao terror com algumas palavras, do épico ao trágico com uma simples modificação do ponto de vista. Posso escrever sobre o que bem entender, basta me esforçar para isso.
Até hoje, participei de várias antologias de contos e poemas, sendo as de contos:

1 – Além das Cruzadas;
2 – Modus Operandi;
3 – Ano 2500;
4 – Vícios, Taras e Medos;
5 – Letras do Brasil;
6 – Seleta de Contos de Autores Brasileiros;
7 – Fragmentos do Medo;
8 – Rainhas;
9 – E quem souber, que conte outra;
10 – ExpoLetras 2015 – Contos;
11 – Seres Amazônicos;
12 – Marcas Eternas;
13 – Justiça e Igualdade Social;
14 – Phantasia;
15 – Criaturas do Submundo;

E, ainda, venho sendo convidado para mais antologias. Teremos novidades em breve.


- Tem algum de seus personagens que você tenha um carinho maior?

— Falar em personagem favorito é meio que injusto. Todos são importantes de certa forma. É tão difícil escolher um personagem preferido que acabo sempre sendo evasivo com a resposta. Depende muito do momento em que estou vivendo também, mas costumo responder com uma espécie de ‘Top 4”.

- Príncipe Handre Helt (A Saga de Esplendor) – Handre é o típico príncipe de armadura e virtuoso e é isso que mais admiro nele. Em época de personagens cinzentos e sombrios, o herdeiro do trono do Reino de Agat é a figura do mocinho clássico. Além disso, obstinado, Handre pertence a uma organização que defende o Reino sob as costas de dragões, a Ordem dos Dragões. Corajoso, o Príncipe está sempre disposto a lutar em favor de Agat e para proteger a quem ama.

- Eric Dias (O Livro do Destino) – Eric começa a trama como um rapaz sem muitas ambições na vida e segue seu caminho de forma bastante despretensiosa até que recebe uma herança que o obriga a tomar várias atitudes. Dias não é corajoso no início e luta várias vezes com as possibilidades que lhe são oferecidas, mas suas atitudes são de uma pessoa genuinamente bondosa. No final de O Livro do Destino, Eric acaba tomando uma atitude inesperada e até mesmo drástica que muda radicalmente suas perspectivas. É essa coragem adormecida de Eric que me faz admirá-lo.

- Judah (conto O Sobrevivente, inserido em Planeta Brutal) – Judah (que não tem seu nome revelado durante o conto) é um ser moldado pelas condições em que vive, onde há escassez de água e transborda violência. Um anti-herói que faz coisas inimagináveis para sobreviver. O que mais gosto nesse personagem é sua vontade de viver e a ausência de culpa que sente nessas ocasiões.

- Eveline (Ácido & Doce) – a protagonista dessa história é uma girl power que tem uma determinação em mente: vingança. Eve sabe aonde quer chegar. Sua garra e perseverança são admiráveis, assim como sua determinação. Aquele tipo de garota que não tem medo de se impor e faz de tudo para alcançar seus objetivos. Você não iria querer ficar em seu caminho.
 

- Quais os escritores que lhe inspiram?

— Sempre que me perguntam isso, fico com medo de esquecer de alguém e cometer certa injustiça. Gosto desde clássicos até a modernidade e escrita contemporânea. Vou citar alguns autores que me ocorrem no momento: Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra) ; Victor Hugo (Os Miseráveis); William Shakespeare (Sonhos de uma noite de verão); J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis); George R.R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo); Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias); Luis de Camões (Os Lusíadas); Gil Vicente (O Alto da Barca do Inferno); George Orwell (1984); Aluísio Azevedo (O Cortiço); Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas); Jô Soares (Assassinato na Academia Brasileira de Letras); Creio que esses não são os únicos, mas os mais importantes.

- Há planos para obras futuras? 

— Se estivesse respondendo essa pergunta há algumas semanas, iria tentar fazer um suspense maior, mas agora já revelei o segredo. (RS).
Estou muito feliz e animado com o contrato que firmei com a Dalle Piagge Editora para a produção e lançamento de meu próximo livro, este chamado ÁCIDO & DOCE, um romance urbano contemporâneo repleto de reviravoltas ao som de rock and roll e pop music do início ao fim, personagens dúbios e cenas de tirar o fôlego com uma mistura de ação, drama e suspense. A previsão inicial é que ÁCIDO & DOCE saia no início de 2017, inaugurando com tudo o calendário de lançamentos da Dalle Piagge.
Por falar em Dalle Piagge, é bom que todos guardem esse nome, pois trata-se de uma editora jovem que está reunindo autores incríveis e corajosos do cenário atual da Literatura Brasileira, como Pablo Madeira, Fábio Abreu, Arley França e Cristiano Contreiras. Tenho certeza que 2017 será o ano da Dalle. Fiquem ligados.
Continuo a revisar o argumento da minha primeira história, A SAGA DE ESPLENDOR – A ANGÚSTIA DO CONSELHEIRO, escrevendo PLANETA BRUTAL e continuo a ser convidado de antologias de contos e poemas. Creio que muitas pedras irão rolar.


- Fico muito feliz em saber da novidade. Inclusive, quero parabenizá-lo e desejar-lhe muito sucesso. Agradeço pela atenção e confiança cedida ao Blog e gostaria que deixasse suas considerações finais:

— Gostaria de agradecer imensamente a oportunidade de estar participando desta entrevista e muito feliz com o interesse em meu trabalho. Tenham a certeza de que pretendo ter a relação mais íntima possível com meus leitores e fiquem sempre à vontade para me contatar. Um forte abraço a todos e lembrem-se: "nós é que traçamos o próprio destino." 
"See Ya"


O que você faria se recebesse um artefato capaz de alterar o destino de pessoas ao seu redor, interferir no futuro e destruir realidades? O que faria se um instrumento de tamanho poder caísse em suas mãos? Praticaria o bem ou mal? Utilizaria para sanar as desgraças do Mundo ou para alcançar objetivos egoístas? Tentaria salvar àqueles ao seu lado, ou salvaria apenas a si mesmo?
Eric Dias é um rapaz de recém feitos dezessete anos. Pacato, vive uma vida tranquila, sem grandes preocupações. No entanto, um presente inusitado pode alterar para sempre seu destino e de todos ao seu redor. O que o rapaz fará com tal responsabilidade sobre seus jovens ombros?


Acompanhe as novidades sobre o autor e suas obras através do Facebook: 



28 de julho de 2016

Entrevista: Autor Jefferson Sarmento

28 de julho de 2016
Hoje, é dia de conhecermos melhor o autor de Alice Em Silêncio (resenha aqui). 
O escritor Jefferson Sarmento.

Nasci numa cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, criado numa rua de terra batida, fazendo represa de lama com a enxurrada dos dias de chuva na beira da calçada, correndo para me esconder em brincadeiras de pique e voltando para casa no fim da tarde, quando a mãe gritava lá da janela. Às vezes eu a encontrava deitada no sofá na sala, folheando uma coisinha cheia de páginas e atenta ao barulho da panela de pressão lá na cozinha.


— Bem ali do lado, ficava a casa dos meus avós. Parte do dia, eu fincava os pés na cabeceira da mesa de madeira, espiando da beirada, esperando os doces maravilhosos que aquela velhinha de olhos miúdos fazia magistralmente enquanto me contava histórias. As mesma fábulas infantis que repetia todas as vezes que eu me sentava na cama ao lado da máquina de costura onde ela fazia seus tapetes e colchas de remendos...
— Um dia eu cresci, aprendi a ler e a escrever e descobri que aquelas histórias vinham em pacotes cheios de folhas, aqueles mesmos que entretinham minha mãe por horas a fio no sofá da sala!
— Nasci no dia 15 de agosto de 1972 e herdei da data todas os estereótipos leoninos que se possa imaginar. Os bons e até os questionáveis, porque ninguém é apenas um paladino perfeito 100% do tempo. A cidadezinha do interior do Rio de Janeiro se chama Barra Mansa, escorrida entre os morros na direção do Rio Paraíba do Sul. Pelo meio dela corta uma rede ferroviária, paralela ao rio de águas barrentas, fatiando a cidade desde um sempre e transformando o trânsito num verdadeiro personagem irritante que você quer ver morto no fim do livro!
— Sou formado em Publicidade e Propaganda, o que não exerço profissionalmente, mas minha vida teria sido bem menos colorida sem aquele aprendizado.
— Gosto de acreditar que sou apegado às minhas raízes e até hoje estou naquela cidadezinha com trânsito complicado e descedentes provincianos de mineiros que pularam a serra para o estado do lado de cá. Embora quase não existam mais ruas de terra nesta cidade com mais de 170 mil habitantes, alguns antigos habitantes ainda se vangloriam por cumprimentar as pessoas nas ruas como se fossem conhecidos desde sempre, tomando café nas padarias do centro e jogando milho aos pombos nas praças principais. Quando te conhecem, perguntam descaradamente: de quem você é filho mesmo?
— Mas são hábitos que vão se extinguir completamente quando a velha geração não estiver mais aqui, o que de certa forma é uma pena.
— Tenho dois filhos adolescentes que amo infinitamente e com eles compartilho as risadas, cineminha, palhaçadas infantis (das quais eles já não riem tanto assim) e as preocupações normais com o futuro. Estão cada vez mais perto do ponto em que terei de dizer: acho que fizemos (eu e minha esposa) um bom trabalho, o mundo é este aí e façam vocês próprios suas escolhas e vidas.

— Mas isso dá um medo!

- Conte um pouco sobre “Alice em silencio” 

— Alice “nasceu” no verão de 2014, no intervalo de uma história maior em que eu estava trabalhando, chamada "Águas Barrentas". Eu estava encontrando algumas dificuldades com alguns rumos que adotei naquele romance e resolvi tirar alguns dias (que acabaram virando meses) para repensar tudo, talvez recomeçar ou mudar os focos, alguns personagens...
— Quando começo a escrever, é natural que o narrador seja em primeira pessoa, porque a história parte dos meus olhos e segue os meus caminhos. Só depois de algum tempo é que, encontrando necessidade para isso, mudo a perspectiva e recomeço a história em terceira pessoa. Isso aconteceu com "Águas Barrentas" e eu sentia necessidade de escrever alguma coisa que estive ao alcance dos meus olhos. Rápido, simples e mágico.
— Nesse ponto, recebi uma espécie de convite, de desafio! Minha esposa (minha primeira leitora e crítica ferrenha, quase sem condescendência alguma nesse ponto – o que eu adoro e preciso) comentou que estava “sem nada para ler” e que sentia falta de uma história daquelas em que cada capítulo terminasse em um momento de tensão que a obrigasse a continuar. Claro que ela estava pensando numa indicação de uma livraria ou de uma loja on line, mas tirei alguns minutos para pensar em alguma coisa eu mesmo. Algo que me fosse desafiador e que alcançasse o que ela queria...

- Então, nos conte como foi desenvolver a obra "Alice em Silencio"? 

— Não tenho um processo único ou disciplina suficiente para seguir um. Cada história tem sua musa e ritmo diferentes. Mas posso dizer que a maioria delas vem inicialmente de uma cena. Eu primeiro vejo essa cena (que pode estar no inicio, no meio ou no fim da história) e depois construo o mundo ao redor dela.
— Quando aceitei o desafio (sem contar isso à minha esposa), sentei-me diante do notebook e vi quando aquele rapaz parou o carro para trocar um pneu furado. Vi que ele estava numa estrada. E vi que era o alto de uma serra e as cidades litorâneas se estendiam sob o céu estrelado do horizonte. Mas pensei: esta aqui vai ser uma história sobre uma menininha. Talvez ela não fale. Ou fale pouco.
— Mas o que o rapaz trocando o pneu tinha a ver com ela? Como se chamaria uma história assim? O que vem depois? Ou antes?
— Alice. "Alice em silêncio". Esse seria o nome, porque imaginei essa garotinha com o rosto sujo de lama, esboçando o silêncio assustado de quem acabou de passar por um vendaval emocional. E com ele, com esse rosto, veio a história. Assim: num tapa, num insight quase tão rápido quanto foi aceitar aquela espécie de “encomenda”. E enquanto minha esposa corrigia as redações de seus alunos ali na mesa do escritório (ela é professora de Língua Portuguesa e Redação), acreditando que eu vasculhava alguma livraria para encontrar um romance que a instigasse e intrigasse, eu escrevi o primeiro capítulo.
— Disse a ela, mais tarde, que tinha um história que gostaria que lesse, antes de encontrar o livro que queria. Entreguei a ela o primeiro capítulo e esperei que voltasse. Isso aconteceu alguns minutos depois. Quando ela pediu o segundo, com os olhos que diziam “como assim você terminou este capítulo deste jeito?”, soube que era aquilo que ela queria.
— Só teve que aguentar o processo longo que é escrever um romance inteiro, mesmo um até meio curto, como Alice é.

- Como foi que, enfim, tornou-se escritor? 

— Costumo dizer que não escolhi o ofício. Ele me escolheu. É uma necessidade. Preciso colocar esses mundos e pessoas para fora. Acho que me tornei escritor quando aprendi a juntar letras em palavras e palavras em frases. Foi quando compreendi que podia pegar aquelas histórias (e outras) que minha avó contava e colocá-las em pacotinhos de páginas como os que minha mãe lia e chamava de livros!
— 
Gosto de histórias que me surpreendem, que me instigam e intrigam. E uso esse mesmo desejo por histórias mágicas para escrever e construir as minhas: elas precisam ter um porquê, uma musa especial, um momento em que eu mesmo me pegaria com os olhos arregalados dizendo: não! Estava ali! Como não vi isso?!?!

- Qual foi seu primeiro livro? Como aconteceu o surgimento dele?

— "Velhos Segredos de Morte e Pecados Sem Perdão" foi o primeiro livro que publiquei. É uma história que me apaixona ainda hoje, talvez pela carga de sentimentos e pedaços meus que está naquele texto. Começou com a tentativa de escrever uma história curta, um conto. A ideia principal está ali no primeiro capítulo, que acabou guardado por quase dois anos num arquivo de texto perdido nas minhas pastas.
— Um dia, abri de novo aquele arquivo: descrevia um homem numa poltrona, olhando pela janela a rua deserta da madrugada. Em dado momento, ainda cultivando suas perdas e temores, ele se virava para ver a mulher deitada na cama ali atrás.
— Eu me apaixonei por ela, pela mulher dormindo na cama. Relendo o que havia escrito, acabei envolvido por uma personagem que ainda não tinha nome e nem fala naquele início. Mas descobri que ela se chamava Isabel. E que não deveria estar ali. E que, antes de a noite terminar, o homem que contava a história e que ainda não havia se decidido por aceitar ou não seu amor por ela, cometeria um crime. E que esse seria o estopim para um Apocalipse concentrado em uma pequena cidadezinha serrana, pacata e comum como todas as mais aconchegantes e simples.
— "Os Ratos do Quarto ao Lado" é um thriller com um serial killer e é uma daquelas histórias em que você passa as páginas tentando descobrir quem é o assassino. E por que ele faz aquilo... daquela maneira. Foi construído a partir de uma cena que só aparece lá no meio da história. Uma cena real, rápida, que capturei de uma noite escura, voltando do Rio de Janeiro para casa. No acostamento, um homem numa capa de chuva amarela esperava para atravessar a rodovia movimentada. Ele carregava alguma coisa. Parecia ser um cabo, alguma ferramenta longa. Mas a imagem passou rapidamente e ficou impressa aqui na caixa de recortes que alimenta a imaginação.
— 
Na adaptação da cena real para a história, decidi que ele segurava um machado. E estava atrás de alguém...

- Já pudemos ter uma ideia, então, de 
onde vem a criação de alguns dos personagens de sua obras. De fato, são inspirados em pessoas reias:

De todos os lugares, de todas as pessoas. Alguns são mesmo inspirados em pessoas reais: como o Comodoro Derico, que tem a imagem e os trejeitos de um antigo conhecido (um dia conto para ele). Já Pedro, Alice e Patrícia são construções que tomam pedaços de várias pessoas, pedaços meus e outros inventados.
Meus prediletos são os personagens imprevisíveis e os cínicos, que se questionam e mudam de opinião – às vezes mudam a minha! A Isabel de “Velhos Segredos de Morte” é assim. Em "Os Ratos do Quarto ao Lado", Beatriz é a presença mais forte ao longo da história, dividindo-se entre um casamento ruim, um filho que ama e desejos que não tem coragem de realizar.
Em "Alice", por mais que eu seja apaixonado pela inocência da menininha de olhos assustados, gosto do heroísmo reticente com que Pedro encara o mundo. Ele não se vê como um herói (e talvez nem seja), mas está pronto para pular no mar quando acredita que poderá salvar a mocinha em apuros.

- Dentre suas obras, escolheria um personagem favorito? 

— É bastante difícil escolher um (livro ou personagem). Ou impossível, porque o envolvimento com a história, enquanto ela vai sendo escrita e construída, é íntimo e devastador demais. Mas tenho um carinho muito especial por "Velhos Segredos de Morte", possivelmente por ser meu primeiro livro publicado. E por Isabel, porque concentrei nela toda a humanidade que minha musa interior me inspirava.
— É uma história que desgasta e desconstrói o personagem central (o narrador com suas paixões arredias e verve anti heroica), trata das nossas vilanias humanas, nossas virtudes capengas, nossas fachadas perfeitas de gente normal. É sobre os segredos que todos temos, nossos desejos indizíveis, mas nossos medos também. E se um dia eles todos nos fossem permitidos?

- Como é o processo de escrita dos seus livros? Necessita alguma preparação em especial? 

— Eventualmente, preciso fazer algumas pesquisas. A internet facilita bastante isso, mas gosto de conversar com as pessoas, com profissionais em áreas que eu não conheço, ler bastante. Às vezes isso acontece antes de começar a história, mas o comum é que essa necessidade surja ao longo do processo.
— Em "Os Ratos do Quarto ao Lado" existe uma cena em que um médico legista explica o que aconteceu a uma vítima. Ainda me lembro do ar espantado de um amigo médico quando descrevi para ele como havia sido aquela morte e perguntei: o que um profissional diria se examinasse um corpo assim?

-E, na hora de escrever um livro, há algo que considere necessário ou difícil demais?

— É preciso estar apaixonado pela história. Daquelas paixões que te fazem varar a noite pensando em como será a cena seguinte, o passo seguinte. E que te deixe com vontade de se levantar no meio da madrugada para escrever. É preciso pensar e repensar cada passo, escrever e reescrever. E ter coragem de apagar tudo ou parte. E recomeçar.
— É preciso ser uma história que me deixe intrigado, com personagens que mudem de ideia a todo instante e me façam repensar o futuro que eu havia escolhido para eles: adoro personagens rebeldes que agem ou dizem coisas que não estavam no plano original.
— A dificuldade só aparece quando essa paixão perde força. Nesse momento, é hora de fechar o notebook e ir ver o mundo lá fora, conversar com as pessoas, olhar os horizontes e repensar a trilha – toda ou em parte.
— Paixão, em primeiro lugar. E depois uma malinha com ferramentas imprescindíveis para o processo de escrita: muita leitura (muita), gramática, mais leitura, alguma liberdade poética misturada a um pouco de realidade para conectar o leitor à história. Ler mais. Mais. Depois disso, revisar, revisar, revisar, revisar.
— E, claro, uma boa história. Sem ela, não há ferramenta ou paixão que resista.

- E agora, a pergunta mais frequente. Quais são sua influencias literárias? 

— Uma lista, na verdade. Comecei minha paixão por histórias fantásticas com Stephen King, Clive Barker e F. Paul Wilson. H.P. Lovecraft, Edgar Allan Poe e especificamente A Volta do Parafuso, de Henry James. Mas sou vidrado nas histórias policiais noir de Raymond Chandler e Dashiell Hammett, com ecos no nosso genial Rubem Fonseca e no Bellini do Tony Beloto, em James Ellroy e no cinismo pop dos personagens cínicos de Nelson Demille.
— Gosto de autores que escrevem bem, que constroem frases e histórias que me deixam com sentimento de... inveja! Eu queria ter escrito aquilo, daquela maneira! Gosto da rabugice reacionária e meio pornográfica do Nelson Rodrigues e sou um apaixonado pelo som das palavras numa leitura apaixonada de Machado de Assis.

- Como leitora assídua, adorei o "Alice". Tanto que até comentei que seria um longa sensacional. Se tivesse a oportunidade de levá-lo às telonas, teria vontade? O que tem a nos dizer sobre isto? 

— Como quase todos os leitores que conheço, leio um livro imaginando as cenas e os personagens como se minha imaginação pudesse mesmo projetar numa tela de cinema a história que vai sendo construída aos poucos. A maioria dos romances e contos que escrevo são, essencialmente, visuais – talvez por conta da minha paixão escancarada pelo cinema. Sou a cria de uma geração que viu filmes fantásticos na década de 1980 no cinema e arregalava os olhos quando o extraterrestre fazia as bicicletas voarem suavemente contra o fundo branco da lua.
— "Alice", especificamente, talvez seja mais visual e próximo da linguagem de um filme que os meus primeiros dois romances. E é claro que eu adoraria me sentar numa poltrona com uma centena de outras pessoas e assistir a história de Alice, Pedro e Patrícia – mesmo já conhecendo o final, mesmo já esperando pelas surpresas que eu sei onde estão.
— Sabe... 'Alice em silêncio" daria um filme fantástico.

- Para finalizarmos, gostaria que nos contasse se há planos de obras futuras? Como citou no início da entrevista, há alguma em andamento? 

— Citei !Águas Barrentas", um romance policial com o qual ainda tenho algumas dívidas... Está terminado, mas é minha primeira história que precisa de uma continuação e, de certa forma, entendo que seria uma desonestidade publicá-la sem ter pelo menos iniciado o seu desfecho.
— Neste momento trabalho num romance novo chamado "Do Fundo do Poço Escuro", outra história que acabou surgindo de um conto. Diria que já passei da metade do caminho com ela (nós dois, a história e eu, passeando por essa trilha, conversando, mudando de ideia e de rumo). Mas ainda tenho algumas questões digladiando-se dentro da cabeça para chegar ao fim.
— Embora seja uma história fincada nos dias atuais (durante o festival de inverno de uma cidade na serra paulista), parte dela se passa entre 1983 e 1987, o que me dá uma oportunidade única de revisitar minha adolescência e as coisas sutis e inocentes que me eram tão importantes naquele período: amizades para sempre que um dia desapareceram, erros idiotas que cometemos e mudam nossas vidas, o prazer de ouvir música no rádio e ficar esperando o locutor calar a boca para poder apertar o botão do “rec”, de ir à biblioteca com os amigos para escavar um livro novo, de colecionar figurinhas e ir ao cinema...

“Vou contar a você sobre as lembranças que me tornaram o que sou. Não se assuste. Não é tudo sobre a morte. Algumas coisas são sobre o amor. Mas, inevitavelmente, o amor nos levará a um termo. O amor às vezes se confunde e tudo o que resta é a solidão dessa morte que ainda não experimentamos.”

Conheça as obras, já publicadas, do autor:

Alice em Silêncio

Alice é apenas uma garotinha assustada, resgatada dos escombros de um deslizamento na estrada, no meio de uma tempestade feroz e destruidora. Pedro também foi arrastado com ela e esteve à beira de desistir (de ishcorregar, o locutor de fala arrastada repetia dentro de sua cabeça), mas aquele estranho sonho em que via a menina com seus grandes olhos azuis assustados... aquilo o fez voltar a si. Precisava tirá-la de lá!
Vagando em direção à cidade, eles testemunham a destruição e a dor dos sobreviventes da catástrofe. Desabrigados, feridos, enfermos, mortos... E em meio ao caos surge o rumor de que Alice talvez... talvez tenha curado uma pessoa quando a tocou. Poderia ser possível? Num mundo real, palpável e cruel... poderia ser possível?
Pedro insiste que não, mas talvez esteja apenas tentando protegê-la, porque a cada instante parece mais evidente que a verdade... Pedro sabe a verdade. Mas não pode contá-la. Não agora. Porque ele sabe do que as pessoas são capazes para conseguir o que querem.

Os Ratos do Quarto ao Lado

Remo era uma cidade tranqüila até aquela manhã. A descoberta do corpo de um garoto numa velha serralheria, mutilado, exposto como num altar de magia negra, aparentemente violentado, revolve as cinzas de velhas lembranças sepultadas.
Alonso Fraga, comandando um pequeno jornal local, passeia por essas lembranças, sendo protagonista de histórias macabras da própria infância que confundem-se de maneira perturbadora com o acontecimentos. Enquanto isso, alimenta uma paixão fantasiosa por sua vizinha Beatriz, cujo casamento parece ruir em cacos, rápida e mortalmente.
À medida que novos assassinatos são descobertos, a cidade mergulha numa soturna condição de embriaguez e perplexidade. O criminoso, que antes parecia circundar Remo como um carniceiro covarde, entra em seus limites, circula por suas ruas, invade seus quintais. E pode estar dentro de suas paredes a qualquer instante. De repente, parece não haver mais tempo para que o quebra-cabeças de lembranças e símbolos desarranjados seja resolvido.

Velhos Segredos de Morte e Pecados sem Perdão

Aos pés da serra, incrustada ao redor de um lago de águas escuras, fica a pequena Arroio dos Perdidos, habitada por gente comum, capaz das bondades mais corriqueiras e das vilanias mais ordinárias. Três famílias que dividem poder e dinheiro sujo da cidade como piratas dividindo a pilha. Na noite anterior ao aniversário da cidade, o homem de confiança das Três Famílias tem a grande idéia: roubar a cruz de ouro da igreja, símbolo do renascimento da cidade, reconstruída das cinzas, décadas antes. Aos poucos, sua pequena troça se revela o estopim de desastres sem fim. De uma hora para outra, os velhos segredos de morte e pecados sem perdão escondidos nos porões da cidade começam a escapar por entre as malhas finas da realidade.



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